18.5.12

Decadentismo de Alphonsus de Guimaraens


     "Alphonsus atingiu, quase desde o começo de sua produção, uma feição pessoal iterativa, que a seu respeito é possível discriminar influências sem lhe gravar, com isso, a originalidade. A sua obra inteira é de acentuada unidade expressional, apesar das contribuições já conhecidas, que antes sublinham essa integridade. Pelo menos, elas explicam-lhe a peculiar fisionamia 'decadente', que o foi como a que mais o tenha sido no nosso Simbolismo. Entranhadamente 'decadente'; mas o decorativismo da tendência não lhe era exclusivamente livresco, como em quase todos os seus compaanheiros. A sua Minas [Gerais] colonial e barroca, com o seu inalienável e grande caráter, ali estava, cercando-o, circunscrevendo-lhe a visão e sensibilidade. A terra e a alma da terra eram, por igual, 'decadentes'. Por isso a obra de Alphonsus é a voz mesma do seu ambiente vital, e também aquela em que mais difícil se torna destrinçar claramente o classicismo arcádico e o decadentismo seu contemporâneo, que lhe são, ambos, constitucionais [que constituem a personalidade literária do poeta]."


[Murici, Andrade. “Presença do Simbolismo”. In: Coutinho, Afrânio (Org.). A literatura no Brasil, vol. 4, p. 437]

17.5.12

Processo poético de Cruz e Sousa




O chefe da escola francesa [Mallarmé], por apuro supremo chegará à palavra que dá a conhecer uma ausência, enquanto o processo de Cruz e Sousa será o da cristalização. A cristalização é purificação, e solidificação na transparência, podendo assim guardar na sua branca geometria alguma coisa da pureza das Formas eternas, das Essências das coisas.

[Roger Bastide Apud Coutinho, Afrânio (Org.).
A literatura no Brasil, vol. 4, p. 405; ao lado, Silêncio, de Odilon Redon]

16.5.12

Trecho de "O Simbolismo" (1886), de Jean Moréas


     "Inimiga do ensino, da declamação, da falsa sensibilidade, da descrição objetiva, a poesia simbolista procura: revestir a Ideia de uma forma sensível, que não seja um fim em si mesma mas que, ao servir para exprimir a Ideia, a ela permaneça submissa. A Ideia, por sua vez, não deve se ver privada das suntuosas samarras das analogias exteriores; pois o caráter essencial da arte simbólica consiste em nunca conceber a Ideia em si. Assim, nessa arte, os quadros da natureza, as ações dos humanos, todos os fenômenos concretos não poderiam, eles próprios, manifestar-se: é que são aparências sensíveis destinadas a representar suas afinidades esotéricas com Ideias primordiais."

[Moréas, Jean. “O Simbolismo”. In: Gomes, Álvaro Cardoso (Org.). A estética simbolista. São Paulo: Cultrix, 1985, p. 67-8; ilustra essa postagem gravura de Odilon Redon, artista francês que produziu importantes obras da arte simbolista]

O Simbolismo, por Álvaro Cardoso Gomes

Álvaro Cardoso Gomes é uma das mais reconhecidas autoridades quando se fala de estudos sobre o Simbolismo. É ele o responsável pela organização do essencial A estética simbolista, com os principais textos programáticos do movimento simbolista, antecedidos por uma introdução substancial de autoria do organizador. Cardoso Gomes é também autor de O Simbolismo, da "Série Princípios" (Editora Ática), em que sinteticamente se traça um panorama histórico do movimento e se comentam as principais características da poesia que então se produziu. Este livro encontra-se disponível no seguinte endereço:
http://pt.scribd.com/doc/55749847/ulvaro-Cardoso-Gomes-O-Simbolismo


15.5.12

o poeta vidente (parte 1)

     

          O primeiro objeto de estudo do homem que quer ser poeta é o conhecimento pleno de si próprio [...].


[Rimbaud, Arthur. “O Poeta Vidente”. In: Gomes, Álvaro Cardoso (Org.). A estética simbolista. São Paulo: Cultrix, 1985]












[a ilustração ao lado é Rimbaud no traço de Paul Verlaine]

14.5.12

Cruz e Sousa, simbolismo, romantismo, expressionismo

Tratada como um signo, a vida de Cruz e Sousa é debuxada com o auxílio da evocação de seus versos por Paulo Leminski em Cruz e Sousa: o negro branco (São Paulo: Brasiliense, 1983). O poeta catarinense que inaugurou o simbolismo no Brasil nos aparece afinal como "nosso mais fundo e intenso poeta" (p. 10). No capítulo 8, "Linguagem em ereção: o sexo da poesia de Cruz e Sousa", Leminski considera a feição expressionista da musa do autor de Broquéis (1893) no trscho que segue:



     "De que sexo era a poesia de Cruz e Sousa? Priápica, ninfomaníaca, a musa de Cruz era, provavelmente, lésbica, com furor uterino: uma musa, é claro, expressionista.
      [...] sabemos que o simbolismo é, apenas, uma das modulações possíveis do romantismo. Uma modulação extrema: são os românticos mais radicais (Poe, Nerval, Novalis) os primeiros simbolistas, os primatas de símbolo. O elo perdido.
      A categoria estética (o 'rema', diria Peirce) 'Expressionismo' não existe na histórias das formas literárias, no Brasil. Embora se tenha invocado a categorias de 'Impressionismo' para caracterizar a arte de Raul Pompéia, em O Ateneu.
      'Expressionismo' é rema corrente, na história da pintura, na passagem do século XIX para o vinte (...). A palavra se aplica, ainda, a certo tipo de música (...).
      O Expressionismo, cujas obras traduzem uma sensação de medo, parece expressar as perplexidades de uma classe social à beira de convulsões revolucionárias (...).
      Na literatura alemã e centro-européia da mesma época, Expressionismo é a realidade, traduzida em obras como as de um Kafka, de um Trakl, um Gottfried Benn, um August Stramm. Ver traços no primeiro Brecht. Afinal, que é Expressionismo?
      Vamos ficar com algumas definições. Como a de Albert Soergel.
      Conforme ele, com o expressionismo 'o que foi expressão a partir de fora, se muda em expressão a partir de dentro: aquilo que foi reprodução de um pedaço do natural é, agora, liberação de uma tensão espiritual. Para isso, todos os objetos do mundo exterior podem ser unicamente signos sem significado próprio. Dissolução pessoal do objeto na idéia, para desprender-se dele e redimir-se nela'.

[Leminski, Paulo. Cruz e Sousa: o negro branco. São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 45-6]

13.5.12

Acréscimo à fortuna crítica de Machado de Assis

Nascido em Ubajara, no Ceará, Raymundo Magalhães Júnior é autor de grande número de biografias interessantes para se conhecer a vida literária e as personalidades artísticas do século XIX. Uma delas é Vida e obra de Machado de Assis, composta por quatro alentados volumes (v.1. Aprendizado - v.2. Ascenção - v.3. Maturidade - v.4. Apogeu). Para aqueles que irão apresentar seminário sobre Memórias póstumas de Brás Cubas (e especialmente a equipe que tratará do romance machadeano na visão de seus contemporâneos), os dois primeiros capítulos do volume 3 constituem material valioso para o conhecimento mais detalhado das repercussões que Brás Cubas causou na vida literária brasileira do final do século XIX. No terceiro capítulo do volume, intitulado "Machado maneja a sátira", estão estampados vários trechos de rodapés críticos da época em que se publicara Papéis Avulsos (1882), um ano depois do surgimento radical de Brás Cubas. Segue um dos trechos, de autoria de Francisco Luís da Gama Rosa, publicados originalmente a 2 de novembro de 1882, na Gazeta da Tarde:

"Os Papéis Avulsos são, na essência, uma continuação da maneira iniciada nas Memórias Póstumas de Brás Cubas. O mesmo maneirismo, o mesmo pessimismo, o mesmo ar sarcástico, cético, desiludido de tudo e de todos, as mesmas revelações apolcalípticas, os mesmos sentidos obscuros e ambíguos, o mesmo espírito enigmático, fazem desconhecer, no primeiro como no segundo livro, o poeta lírico, o escritor romântico de outrora."
(In: Magalhães Júnior, R. Vida e obra de Machado de Assis, v.3: maturidade. Rio de Janeiro: Record, 2008) 

 

12.5.12

Literatura Brasileira III: seminários


Literatura Brasileira III (turma 2A)
Relação das equipes e definição da perspectiva de estudo de cada uma delas
(por ordem de apresentação)

Equipe 1 (Triste fim de Policarpo Quaresma, dia 11/06):
Karine e Karoline.
Perspectiva de estudo: Lima Barreto e o destino da literatura: a fundamentação ideológica de Policarpo Quaresma.

Equipe 2 (Macunaíma, dia 15/06):
Elvis, Gleiberson, Liziane e Paulo César.
Perspectiva de estudo: Macunaíma – da literatura ao cinema.

Equipe 3 (Triste fim de Policarpo Quaresma, dia 18/06):
Beatriz, David, Ivoneide, Rafaela e Rosilene.
Perspectiva de estudo: O significado de Triste fim de Policarpo Quaresma na literatura brasileira: tradição e renovação.

Equipe 4 (Macunaíma, dia 22/06):
Hélio, Maria Helena, Rafael, Roberto, Tatiane.
Perspectiva de estudo: Macunaíma pelo olhar de Gilda de Mello e Souza.

Literatura Brasileira III: seminários


Literatura Brasileira III (turma 1A)
Relação das equipes e definição da perspectiva de estudo de cada uma delas
(por ordem de apresentação)

Equipe 1 (Triste fim de Policarpo Quaresma, dia 4/06):
Fernângela, Karen, Renata, Stefanie.
Perspectiva de estudo: Lima Barreto e o destino da literatura: a fundamentação ideológica de Policarpo Quaresma.

Equipe 2 (Macunaíma, dia 11/06):
César, Gustavo, Matheus, Raquel, Raquel.
Perspectiva de estudo: Macunaíma pelo olhar de Gilda de Mello e Souza.

Equipe 3 (São Bernardo, dia 15/06):
Gabriel, Jéssica, Emanuele.
Perspectiva de estudo: Aspectos formais e estruturais de São Bernardo.

Equipe 4 (Triste fim de Policarpo Quaresma, dia 18/06):
Lilian, Matheus, Suzane, Tábata.
Perspectiva de estudo: O significado de Triste fim de Policarpo Quaresma na literatura brasileira: tradição e renovação.

Equipe 5 (São Bernardo, dia 22/06):
Aparecida, Evelise, Joana, Juliana, Raquelina.
Perspectiva de estudo: Estilística e biografismo na leitura de São Bernardo.

Equipe 6 (Macunaíma, dia 25/06):
Adriana, Alyne, Bruno, Luan, Suze.
Perspectiva de estudo: Mito e cosmogonias em Macunaíma: roteiro e significação.

10.5.12

Acréscimo à Fortuna crítica de Graciliano Ramos

Para o estudo de São Bernardo, vale a leitura de duas páginas de Lúcia Miguel Pereira sobre esse segundo romance de Graciliano Ramos. Refiro-me a "São Bernardo e o mundo seco de Graciliano Ramos", um dos rodapés da autora, que compõe o livro A leitora e seus personagens (Rio de Janeiro: Graphia, 1992). Segue um trecho representativo:

       "Que figura bem construída, bem lançada, cruelmente verídica e muito humana mesmo em seus excessos, esse Paulo Honório, com as suas mãos enormes, calosas, a sua face vultuosa, a sua maldade indiferente, a sua profunda imcompreensão de tudo o que não fosse um negócio e, sob tudo isso, um ou outro movimento bom."
(p. 84)

[Othon Bastos como Paulo Honório em fotograma de São Bernardo (1972), filme de Leon Hirszman]

7.5.12

Fortuna crítica de Graciliano Ramos


Fortuna crítica de Graciliano Ramos
(para o estudo de São Bernardo):


1.       Brayner, Sônia (Org.). Graciliano Ramos, 1978.
2.       Candido, Antonio. Ficção e confissão, 1999.
3.       Coutinho, Carlos Nelson. “Graciliano Ramos”. In: Brayner, Sônia (Org.). Graciliano Ramos, 1978, p. 73-122.
4.       Cristóvão, Fernando Alves. Graciliano Ramos: estrutura e valores de um modo de narrar, 1986.
5.       Feldmann, Helmut. Graciliano Ramos: reflexos de sua personalidade na obra, 1967.
6.       Juarez Filho, Edmundo. História e alegoria em São Bernardo de Graciliano Ramos, 2006.
7.       Lafetá, João Luiz. “O mundo à revelia”. In: Ramos, Graciliano. São Bernardo, 1983, p. 189-213.
8.       Lima, Luiz Costa. “A reificação de Paulo Honório”. In: _____. Por que literatura, 1966.
9.       Miranda, Wander Melo. Graciliano Ramos, 2004.
10.   Montenegro, Olívio. O romance brasileiro, 1953, p. 215-230.


Perspectivas de estudo para realização dos seminários:

a)      Aspectos formais e estruturais de São Bernardo ([item 4] + [item 9]).
b)      Estilística e biografismo na leitura de São Bernardo ([item 5] + [item 2]).
c)       Ideologia e história em São Bernardo ([item 6] + [item 8]).