2.11.09

abri a aurora do nietzsche, e encontrei este trecho, que puxou pela perna o poeta de itabira, que sabia o quanto de ferro ia nas almas dos seus iguais (gauche?). o prólogo da aurora diz assim:

Neste livro se acha um "ser subterrâneo" a trabalhar, um ser que perfura, que escava, que solapa. Ele é visto - pressupondo que se tenha vista para esse trabalho na profundeza - lentamente avançando, cauteloso, suavemente implacável, sem muito revelar da aflição causada pela demorada privação de luz e ar; até se poderia dizer que está contente com seu obscuro lavor. Não parece que alguma fé o guia, algum consolo o compensa? Que talvez queira a sua própria demorada treva, seu elemento incompreensível, oculto, enigmático, porque sabe o que também terá: sua própria manhã, sua redenção, sua aurora?... Certamente ele retornará: não lhe perguntem o que busca lá embaixo, ele mesmo logo lhes dirá, esse aparente Trofônio e ser subterrâneo, quando novamente tiver se "tornado homem". Um indivíduo desaprende totalmente o silenciar, quando, como ele, foi por tão longo tempo toupeira, solitário - -

(Nietzsche. Aurora: reflexões sobre os preconceitos morais. Tradução Paulo Cézar de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 9)


e o drummond diz assim:

Áporo

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto de desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.

(Drummond. Antologia poética. Lisboa: Dom Qixote, 2002. p. 246-7)

gorjeio como lá

palhaço de classe publicará algumas notas sobre a bela cultura política que se estabelece entre nós. aqui e algures. pretende também, com seu sorriso sombriamente cáustico, ser índice cretino e sentimental da burguesia que nos pariu, como já propusera o oswald. este palhaço de classe sugestão dele aliás.