31.1.15

por ocasião do dia do mágico

bom dia para começar as atividades deste picadeiro neste ano que desponta. o dia do mágico é ocasião pra ver F for fake, de um dos mágicos maiores do cinema, Orson Welles. não percam, cinema também é...


4.12.14

Geraldo Filme disse o seguinte...

Pois é, Geraldo Filme é um desses que é preciso conhecer para nos conhecer. Assim como Machado de Assis, Euclides da Cunha, Mário de Andrade, Candido Portinari e Crioulo. Assim também como o sempre surpreendente Itamar Assumpção, que tempos atrás gravou essa beleza de Geraldo Filme.


1.12.14

E a favela virou poesia

 
Para além do quinhão de ritmo e alegria que o samba nos traz, ele tem muito a nos ensinar. Geraldo Filme é um dos mestres do samba brasileiro, grande nome do universo musical paulistano. Em "Tristeza do sambista" filosofa sobre uma questão ética da criação artística, que aliás é pertinente para a literatura e para a cultura contemporânea. Ouçam a beleza da sonoridade, a afinação do pensamento e voz da cultura popular de nossas terras...


27.11.14

Debussy para o fim de semestre

Ouvindo Debussy enquanto corrijo as avaliações típicas do final de semestre. Ouvindo o "Nocturne", de Debussy, e pensando no poema "Noturno", de Mário de Andrade. Ouvindo Debussy e divagando sobre o quanto de sua sonoridade nos sugere o fim do século XIX na cultura europeia, os anseios que antecipariam seu desfecho anos depois com o início da primeira grande guerra...
Ouçam vocês, e me digam.


23.11.14

A segunda geração romântica e o complexo de Chapeuzinho Vermelho





Pessimismo, "humor negro", perversidade, de mãos dadas com ternura, singeleza, doçura, nestes poetas é que os devemos procurar. Considerados em bloco, formam um conjunto em que se manifestam as características mais peculiares do espírito romântico. Inclusive a atração pela morte, a autodestruição dos que não se sentem ajustados ao mundo. Todos eles sentiram de modo profundo a vocação da poesia; vocação exigente, que incompatibilizava com as carreiras abertas pela sociedade do Império e nas quais se acomodaram eficazmente, na geração anterior, [Gonçalves de] Magalhães, Porto Alegre, [Joaquim] Norberto, o próprio Gonçalves Dias: advocacia, magistério, comércio, clero, armas, agricultura, burocracia. Por isso Junqueira Freire falhou como frade, Casimiro [de Abreu] como caixeiro, Laurindo [Rabelo] como médico, [Fagundes] Varela como tudo. [...] Por isso, o melhor estudante da Academia de São Paulo, Álvares de Azevedo, morreu antes de obter o canudo de bacharel. Todos eles escolhem as veredas mais perigosas, como quem experimenta com o próprio ser; um verdadeiro complexo de Chapeuzinho Vermelho, que leva a tomar o pior caminho para cair na boca do lobo, com um arrepio fascinado de masoquismo. [...]

(Candido, Antonio. Formação da literatura brasileira. Volume 2, pp. 134-5)


18.11.14

Iracema da América, Alencar e Chico Buarque

Ouçam e se deliciem com "Iracema voou", música em que Chico Buarque dialoga poeticamente com a criação de José de Alencar. Reparem a sugestiva condição desta nova Ireacema, não mais uma "virgem dos lábios de mel", e que vez por outra liga a cobrar para o eu lírico da canção, identificando-se ao telefone como "Iracema da América". Perfeito! Acessem através do link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=6O-sJPa1gvQ


16.11.14

Castro Alves na Brasiliana




Vale a pena folhear as páginas dos títulos do condoreiro Castro Alves (1847-1871), reveladoras todas elas do talento e da "inspiração original" (nas palavras de José de Alencar). É especialmente revelador folhear o volume do "drama histórico brasileiro" de Castro Alves, Gonzaga, ou A Revolução de Minas (1875), que nas suas páginas iniciais reproduz cartas de José de Alencar e de Machado de Assis sobre o drama e seu jovem autor. Boa leitura!



http://www.brasiliana.usp.br/bbd/search?fq=dc.contributor.author:%22Alves,+Castro,+1847-1871%22

15.11.14

"Canção do Exílio"

O programa Tudo que é sólido pode derreter, produzido pela TV Cultura, comenta textos fundamentais da literatura através de narrativas inteligentes e descontraídas.
Este episódio tematiza o famoso poema de Gonçalves Dias, "Canção do Exílio".


12.11.14

"Entre cantos e chibatas"

Interessantíssimos os comentários de Lilia Moritz Schwarcz sobre fotos do século XIX que retratam aspectos da escravidão no Brasil. Instigante para pensarmos em que medida a literatura no Brasil se defrontou com tensões fundamentais decorrentes do sistema escravocrata entre nós. Segue a primeira parte, dos 4 disponíveis no youtube.


11.11.14

Obras completas de Casimiro de Abreu etc.


http://www.brasiliana.usp.br/bbd/search?&fq=dc.contributor.author%3AAbreu%2C\+Casimiro\+de%2C\+1839\-1860

O endereço acima é o de uma das páginas do site da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (http://www.bbm.usp.br/). Nela estão relacionados os títulos das edições do poeta romântico Casimiro de Abreu, todos disponíveis em versão digitalizada, o que nos faz pensar na recepção da poesia brasileira à época no Brasil e fora dele. Casimiro, por qualidades que foram apontadas por Drummond em postagem anterior, foi poeta certamente difundido entre leitores os mais diversos, e ficamos mesmo imaginando que um poeta como Patativa do Assaré terá se deleitado com versos como estes.



[...]

Há que tempos! Bem me lembro...
Foi num dia de novembro:
Deixava a terra natal;
A minha pátria tão cara,
O meu lindo Guanabara,
Em busca de Portugal.

Na hora da despedida
Tão cruel e tão sentida
Pra quem sai do lar fagueiro;
Duma lágrima orvalhada
Esta rosa foi-me dada
Ao som d'um beijo primeiro.

Deixava a pátria, é verdade,
Ia morrer de saudade
N'outros climas, n'outras plagas;
Mas tinha orações ferventes
D'uns lábios inda inocentes
Em quanto cortasse as vagas.

E hoje, e hoje, meu Deus?!
— Hei de ir junto aos mausoléus
No fundo dos cemitérios,
E ao baço clarão da lua
Da campa na pedra nua
Interrogar os mistérios!

[...]

(Abreu, Casimiro de. "Rosa murcha". In: _____.  As Primaveras. Rio de Janeiro: Typ. de Paula Brito, 1859)



O encanto pacífico de Casimiro de Abreu

São reveladoras as palavras de Carlos Drummond de Andrade sobre a poesia de Casimiro de Abreu, no livro Confissões de Minas (1944). A primeira parte das confissões de Drummond, aliás, intitula-se "Três poetas românticos", os quais são tratados nos seguintes ensaios: "Fagundes Varela, solitário imperfeito", "No jardim público de Casimiro" e "O sorriso de Gonçalves Dias". Destaco do segundo dois pequenos trechos, que desvela aspectos importantes da poesia de Casimiro.

"O encanto de Casimiro de Abreu está na tocante vulgaridade. Em sua poesia tudo é comum a todos. Nenhum sentimento nele se diferencia dos sentimentos gerais, que visitam qualquer espécie de homem, de qualquer classe, em qualquer país. Casimiro dirige-se igualmente a todos, e por isso mesmo é restrita a matéria de sua poesia: abrange somente aquela região em que não operam as distinções filosóficas, os credos políticos, a tumultuosa torrente da vida social." (p.29)

O trecho acima são as primeiras palavras do ensaio de Drummond. As que seguem foram retiradas de trecho mais avançado, em que estabelece a relação com dois outros importantes poetas do romantismo brasileiro, Álvares de Azevedo e Castro Alves.


"Casimiro guardou, pois, a inocência entre dois demônios poéticos. Antes dele, já Álvares de Azevedo zombara de todas as metafísicas e da própria poesia, recomendando em verso que cortassem uma tripa de seu cadáver para a feitura de uma lira que cantasse os amores da vida. Pouco depois, Castro Alves, ao mesmo tempo em que renovava o conteúdo dos velhos temas amorosos, agredia o leitor com a insolência de novos assuntos: a conspiração de Tiradentes, o tráfico de escravos, a batalha política. O frágil Casimiro esgueirou-se na tempestade, à procura de abrigo para a sua sensibilidade de contornos tão limitados. [...]" (pp. 30-1)