13.2.15

Morro da Favela e o Modernismo

lembro de uma das participações de Glauber Rocha no programa abertura, no começo dos anos 1980, em que ele conversava com um ilustre morador da favela Santa Marta, o Brizola, que dizia que sem aquele morro o bairro (Botafogo) era coisíssima nenhuma (os termos do Brizola são mais saborosos).. pois é, acho que podemos dizer que a presença da favela é algo de fundamental importância para se compreender a produção artística e a cultura da primeira metade do século XX. de Euclides da Cunha à poesia concreta, há uma presença efetiva ou virtual desse espaço urbano a parte na cidade, para o qual olhamos com desgosto ou simpatia. sem a favela, o modernismo era coisíssima nenhuma..


31.1.15

por ocasião do dia do mágico

bom dia para começar as atividades deste picadeiro neste ano que desponta. o dia do mágico é ocasião pra ver F for fake, de um dos mágicos maiores do cinema, Orson Welles. não percam, cinema também é...


4.12.14

Geraldo Filme disse o seguinte...

Pois é, Geraldo Filme é um desses que é preciso conhecer para nos conhecer. Assim como Machado de Assis, Euclides da Cunha, Mário de Andrade, Candido Portinari e Crioulo. Assim também como o sempre surpreendente Itamar Assumpção, que tempos atrás gravou essa beleza de Geraldo Filme.


1.12.14

E a favela virou poesia

 
Para além do quinhão de ritmo e alegria que o samba nos traz, ele tem muito a nos ensinar. Geraldo Filme é um dos mestres do samba brasileiro, grande nome do universo musical paulistano. Em "Tristeza do sambista" filosofa sobre uma questão ética da criação artística, que aliás é pertinente para a literatura e para a cultura contemporânea. Ouçam a beleza da sonoridade, a afinação do pensamento e voz da cultura popular de nossas terras...


27.11.14

Debussy para o fim de semestre

Ouvindo Debussy enquanto corrijo as avaliações típicas do final de semestre. Ouvindo o "Nocturne", de Debussy, e pensando no poema "Noturno", de Mário de Andrade. Ouvindo Debussy e divagando sobre o quanto de sua sonoridade nos sugere o fim do século XIX na cultura europeia, os anseios que antecipariam seu desfecho anos depois com o início da primeira grande guerra...
Ouçam vocês, e me digam.


23.11.14

A segunda geração romântica e o complexo de Chapeuzinho Vermelho





Pessimismo, "humor negro", perversidade, de mãos dadas com ternura, singeleza, doçura, nestes poetas é que os devemos procurar. Considerados em bloco, formam um conjunto em que se manifestam as características mais peculiares do espírito romântico. Inclusive a atração pela morte, a autodestruição dos que não se sentem ajustados ao mundo. Todos eles sentiram de modo profundo a vocação da poesia; vocação exigente, que incompatibilizava com as carreiras abertas pela sociedade do Império e nas quais se acomodaram eficazmente, na geração anterior, [Gonçalves de] Magalhães, Porto Alegre, [Joaquim] Norberto, o próprio Gonçalves Dias: advocacia, magistério, comércio, clero, armas, agricultura, burocracia. Por isso Junqueira Freire falhou como frade, Casimiro [de Abreu] como caixeiro, Laurindo [Rabelo] como médico, [Fagundes] Varela como tudo. [...] Por isso, o melhor estudante da Academia de São Paulo, Álvares de Azevedo, morreu antes de obter o canudo de bacharel. Todos eles escolhem as veredas mais perigosas, como quem experimenta com o próprio ser; um verdadeiro complexo de Chapeuzinho Vermelho, que leva a tomar o pior caminho para cair na boca do lobo, com um arrepio fascinado de masoquismo. [...]

(Candido, Antonio. Formação da literatura brasileira. Volume 2, pp. 134-5)


18.11.14

Iracema da América, Alencar e Chico Buarque

Ouçam e se deliciem com "Iracema voou", música em que Chico Buarque dialoga poeticamente com a criação de José de Alencar. Reparem a sugestiva condição desta nova Ireacema, não mais uma "virgem dos lábios de mel", e que vez por outra liga a cobrar para o eu lírico da canção, identificando-se ao telefone como "Iracema da América". Perfeito! Acessem através do link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=6O-sJPa1gvQ


16.11.14

Castro Alves na Brasiliana




Vale a pena folhear as páginas dos títulos do condoreiro Castro Alves (1847-1871), reveladoras todas elas do talento e da "inspiração original" (nas palavras de José de Alencar). É especialmente revelador folhear o volume do "drama histórico brasileiro" de Castro Alves, Gonzaga, ou A Revolução de Minas (1875), que nas suas páginas iniciais reproduz cartas de José de Alencar e de Machado de Assis sobre o drama e seu jovem autor. Boa leitura!



http://www.brasiliana.usp.br/bbd/search?fq=dc.contributor.author:%22Alves,+Castro,+1847-1871%22

15.11.14

"Canção do Exílio"

O programa Tudo que é sólido pode derreter, produzido pela TV Cultura, comenta textos fundamentais da literatura através de narrativas inteligentes e descontraídas.
Este episódio tematiza o famoso poema de Gonçalves Dias, "Canção do Exílio".


12.11.14

"Entre cantos e chibatas"

Interessantíssimos os comentários de Lilia Moritz Schwarcz sobre fotos do século XIX que retratam aspectos da escravidão no Brasil. Instigante para pensarmos em que medida a literatura no Brasil se defrontou com tensões fundamentais decorrentes do sistema escravocrata entre nós. Segue a primeira parte, dos 4 disponíveis no youtube.


11.11.14

Obras completas de Casimiro de Abreu etc.


http://www.brasiliana.usp.br/bbd/search?&fq=dc.contributor.author%3AAbreu%2C\+Casimiro\+de%2C\+1839\-1860

O endereço acima é o de uma das páginas do site da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (http://www.bbm.usp.br/). Nela estão relacionados os títulos das edições do poeta romântico Casimiro de Abreu, todos disponíveis em versão digitalizada, o que nos faz pensar na recepção da poesia brasileira à época no Brasil e fora dele. Casimiro, por qualidades que foram apontadas por Drummond em postagem anterior, foi poeta certamente difundido entre leitores os mais diversos, e ficamos mesmo imaginando que um poeta como Patativa do Assaré terá se deleitado com versos como estes.



[...]

Há que tempos! Bem me lembro...
Foi num dia de novembro:
Deixava a terra natal;
A minha pátria tão cara,
O meu lindo Guanabara,
Em busca de Portugal.

Na hora da despedida
Tão cruel e tão sentida
Pra quem sai do lar fagueiro;
Duma lágrima orvalhada
Esta rosa foi-me dada
Ao som d'um beijo primeiro.

Deixava a pátria, é verdade,
Ia morrer de saudade
N'outros climas, n'outras plagas;
Mas tinha orações ferventes
D'uns lábios inda inocentes
Em quanto cortasse as vagas.

E hoje, e hoje, meu Deus?!
— Hei de ir junto aos mausoléus
No fundo dos cemitérios,
E ao baço clarão da lua
Da campa na pedra nua
Interrogar os mistérios!

[...]

(Abreu, Casimiro de. "Rosa murcha". In: _____.  As Primaveras. Rio de Janeiro: Typ. de Paula Brito, 1859)