10.11.14

Ambientação do Romantismo Brasileiro

Mais um vídeo para nosso estudo do Romantismo no Brasil, relacionando aspectos culturais, sociológicos, religiosos e artísticos relevantes. Trata-se de mais um episódio de Histórias do Brasil, produzido pela TV Brasil. "O Sangrador e o Doutor, Rio de Janeiro, 1820" é o título do episódio, e revela um pouco do que o movimento romântico no Brasil tentaria a todo custo depurar.


7.11.14


"Não tem pátria um povo que não canta em sua língua." Esse era o lema do compositor cearense Alberto Nepomuceno (1864-1920). Ele representa um estágio pouco mais avançado em relação à primeira geração de músicos e artistas que tentaram reproduzir no Brasil "o efeito romântico europeu", como considera Ricardo Kanji, músico e apresentador da série "História da música brasileira", riquíssimo programa em dez episódios. Neste, o penúltimo deles, intitulado "Romantismo: o Brasil para poucos", encontramos elementos que facilitam a compreensão do desenvolvimento do Romantismo nas letras brasileiras, com a articulação de mitos de fundação da nacionalidade brasileira, por "uma elite que não sabia como se fazer autêntica", como diz o apresentador do programa. Ouçam para crer, através do link abaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=A3AG-xyIlmA





5.11.14

"I-Juca Pirama": reverberações atuais da poesia de Gonçalves Dias

Interessante animação baseada no poema "I-Juca Pirama", de Gonçalves Dias, "o primeiro grande poeta romântico do Brasil", nas palavras de Manuel Bandeira. Interessante pelas imagens que ilustram os versos do poeta maranhense e também pela divagação histórica acerca da imagem do indígena entre nós, do momento mítico do romantismo aos nossos dias.


1.11.14

Esclarecimentos sobre a "Epístola a Termindo Sipílio", de Silva Alvarenga

Mais uma dica de estudo sobre a poesia de Silva Alvarenga, com comentários acerca da "Epístola a Termindo Sipílio" e a estética arcádica. Vale a pena consultar a tese de Gustavo Henrique Tuna (USP, 2009), verificando especificamente o trecho que vai da página 50 a 55, em que o referido poema é comentado. O link para o arquivo pdf da tese é o seguinte: 
www.teses.usp.br/teses/.../8/.../GUSTAVO_HENRIQUE_TUNA.pdf

Um pouco mais sobre a poesia de Silva Alvarenga




            [...]
            Já os primeiros textos do autor [Silva Alvarenga] se dedicam justamente à elaboração do discurso didático sobre o fazer poético. As pesquisas de Francisco Topa revelaram que o primeiro texto impresso com o nome de Alcindo Palmireno, quando o autor ainda era estudante da Universidade de Coimbra, foi a "Epístola a Termindo Sipílio", em 1772. Se o poema já era bastante conhecido da crítica, a nova posição que ele ocupa no conjunto da obra do poeta reforça a importância da sua teorização de caráter neoclássico.
            A "Epístola" faz o elogio ao O Uraguai de Basílio da Gama, que não era o que se poderia chamar de uma "unanimidade" no ambiente português, e aproveita a ocasião para tecer comentários sobre determinadas práticas e figuras da vida intelectual da metrópole, numa clara tomada de partido estético. A série de preceitos e críticas que se seguem ao elogio a O Uraguai reforça a posição adotada pelo novo autor diante dos hábitos culturais e literários em que está inserido: defesa do equilíbrio ("Teu Pégaso não voa furioso..., mas ... conhece a mão e o freio"), valorização dos clássicos ("Ou Boileau torne a empunhar contra vós a espada"), adequação aos modelos ("Usarás Catulo na morte de quem amas/ D'alambicadas frases e agudos epigramas?"), segurança dada pelas práticas tradicionais (...), estudo constante ("Quem sobe mal seguro tem gosto de cair"), necessidade da crítica (...).
            [...] Toda esta preocupação teórica de Silva Alvarenga pode se justificar porque, inserida no conjunto de valores neoclássicos, a poesia não é entendida por ele (assim como por seus contemporâneos) como mero divertimento, mas como atividade que tem no horizonte a formação moral e intelectual do cidadão, já que é ela quem dá exemplo das belas ações, inclusive origem às outras disciplinas. [...]

(Morato, Fernando. "Introdução". In: Alvarenga, Manuel Inácio da Silva. Obras Poéticas.
São Paulo: Martins Fontes, 2005, pp. XLIII-XLIV)


ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A POESIA DE SILVA ALVARENGA




            A obra de Silva Alvarenga foi toda escrita na segunda metade do século XVIII, tanto em Portugal quanto no Brasil, e se situa estética e ideologicamente no Neoclassicismo de feição arcádica.
            De maneira geral, o Neoclassicismo se empenhou num esforço para "restaurar o bom gosto perdido" após anos de influência dos modelos poéticos barrocos, muitas vezes identificados com a Espanha e seu grande poeta, Gongora (Silva Alvarenga chama-o de "sombrio espanhol", autor de "góticos enigmas"). Já desde o início do século XVIII havia mostras de desgosto com os "excessos" da poesia de caráter seiscentista, e a reação vai ganhando mais espaço e corpo com a publicação de O verdadeiro método de estudar, de Luís Antônio Verney (1746-47), com a fundação da Arcádia Lusitana (1756) e com a reforma da Universidade de Coimbra promovida pelo Marquês de Pombal (1772). À época em que Silva Alvarenga começa a escrever, está plenamente configurada a proposta neoclássica: retomada dos modelos clássicos, antigos e quinhentistas, e crítica constante da poesia, que se identifica com a expressão racional do pensamento. "Rien n'est beau que le vrai; le vrai seule est amaible", escreveu Boileau, cuja Arte Poética é modelo para vários autores da época.
            [...]

(Morato, Fernando. "Introdução". In: Alvarenga, Manuel Inácio da Silva. Obras Poéticas.
São Paulo: Martins Fontes, 2005, pp. XXXII-XXXIII)


19.10.14

Literatura fundamental: Stephane Mallarmè


A pesquisadora Rosie Mehoudar fala sobre a obra e a vida do poeta francês Stephane Mallarmè,
um dos gurus do movimento simbolista, se é que ele existe
(como questionam Paul Valéry e Paulo Leminski).



7.10.14

Literatura fundamental: Arthur Rimbaud

Mais uma edição do programa Literatura Fundamental, projetado neste picadeiro, agora sobre a obra de Arthur Rimbaud, por Maurício Salles Vasconcelos. Aqui mesmo reproduziu-se anteriormente a edição dedicada a Flores do Mal, conduzida por Álvaro Faleiro. Confira para conhecer mais sobre "um vagabundo genial"  que foi crucial para a revolução moderna da poesia ocidental.


3.10.14

Palavra e Utopia, de Manoel de Oliveira

Para quem deseja imaginar a atuação de Padre Antônio Vieira com o auxílio de imagens em movimento, vale conferir o filme Palavra e Utopia (2000), do cineasta português Manoel de Oliveira.



O discurso engenhoso de Padre Antônio Vieira

         
              [...]
          A palavra "engenhoso" me parece muito própria para indicar o gênero do discurso de que tratarei aqui. No sentido em que a emprego, é uma palavra muito frequente no século XVII em Portugal, na Espanha e na Itália. O Pe. Bouhours, um dos teóricos do discurso "clássico", a usou, a seu modo, para caracterizar especialmente a maneira de expressão que condenava nos italianos e espanhóis, chamados, hoje, por nós, de "barrocos". Poderia eu também escolher a palavra "agudo" que se encontra, ao lado de engenhoso, no título do célebre trabalho de Gracían [trata-se da Arte de ingenio, tratado de la agudeza]. Mas "agudo" e "agudeza" parecem-me convir melhor aos resultados que os processos "engenhosos" procuram obter. Todo discurso "engenhoso" se ordena em função de uma "agudeza", que ele prepara e serve. A palavra "barroco", que também poderia ser usada, engloba um conjunto de atitudes e processos que ultrapassam largamente o campo semântico de "engenhoso". E o que eu desejaria mostrar, sobretudo, é que o essencial do barroco, no que se refere à literatura, reside justamente no "discurso engenhoso".
              [...]

(Saraiva, Antonio J. O discurso engenhoso: estudos sobre Vieira e outros autores barrocos.
São Paulo: Perspectiva, 1980, p. 8)

30.9.14

Por que Antônio Vieira é importante?

Alcir Pécora fala sobre Antônio Vieira, o "imperador da língua portuguesa", como o qualifica Fernando Pessoa. Vieira não foi, como circula por certo senso comum na rede, um intelectual, pois a noção de intelectual surgiria muito depois do século do Barroco, o XVII, somente no final do século XIX. Vieira foi combativo padre da Companhia de Jesus e se envolveu, como indica Pécora, em todas as grandes questões políticas, ideológicas, religiosas e mesmo econômicas, refletindo sempre agudamente sobre essas questões. Vale como interessante introdução à leitura dos sermões de Padre Antônio Vieira.