10.5.14

Drummond, o fazendeiro do ar




Parte do documentário "Encontro Marcado com o cinema de Fernando Sabino e David Neves", gravado em 35 mm, pelo cronista Fernando Sabino e o cineasta David Neves, pela produtora Bem-te-vi Filmes, criada pela dupla em 1972.



7.5.14

Literatura fundamental: As flores do mal




O tradutor e professor Álvaro Faleiro (USP) fala de As flores do mal, de Charles Baudelaire.

uma revolução poética: o simbolismo

Vale comparar as representações de Vênus que foram realizadas pela arte neoclássica do século XIX
(escultura e pintura), assim como pela poesia parnasiana (aqui e alhures), com a representação que dela faz um dos videntes mais geniais do simbolismo francês, Arthur Rimbaud. Segue o poema "Venus Anadyomène" primeiramente em francês, e em seguida a tradução feita por Ivo Barroso:



Venus Anadyomène
O nascimento de Vênus (1912), de Odilon Redon.


Comme d’un cercueil vert en fer blanc, une tête
De femme à cheveux bruns fortement pommadés
D’une vieille baignoire émerge, lente et bête,
Avec des déficits assez mal ravaudés;

Puis le col gras et gris, les larges omoplates
Qui saillent; le dos court qui rentre et qui ressort;
Puis les rondeurs des reins semblent prendre l’essor;
La graisse sous la peau paraît en feuilles plates:

L’échine est un peu rouge, et le tout sent un goût
Horrible étrangement; on remarque surtout
Des singularités qu’il faut voir à la loupe…

Les reins portent deux mots gravés: CLARA VENUS;
—Et tout ce corps remue et tend sa large croupe
Belle hideusement d’un ulcère à l’anus.





Vênus Anadiomene

Qual de um verde caixão de zinco, uma cabeça
Morena de mulher, cabelos emplastados,
Surge de uma banheira antiga, vaga e avessa,
Com déficits que estão a custo retocados.

Brota após grossa e gorda a nuca, as omoplatas
Anchas; o dorso curto ora sobe ora desce;
Depois a redondez do lombo é que aparece;
A banha sob a carne espraia em placas chatas;

A espinha é um tanto rósea, e o todo tem um ar
Horrendo estranhamente; há, no mais, que notar
Pormenores que são de examinar-se à lupa...

Nas nádegas gravou dois nomes: Clara Vênus;
-- E o corpo inteiro agita e estende a ampla garupa
Com a bela hediondez de uma úlcera no ânus.




De: RIMBAUD, Arthur. Poesia completa. Edição biligue. tradução de Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Topbooks, 1994.


3.5.14

Das crônicas de Mário de Andrade: Manifesto do Trianon

Em março de 1921, Mário de Andrade publicaria crônica em que relatava os acontecimentos do que ficou conhecido como Manifesto do Trianon -- lançamento da edição de luxo de As máscaras, prosa poética de Menotti del Picchia, em que também se lançaria publicamente o modernismo, que no ano seguinte consagraria a Semana de Arte Moderna. Os fatos aqui relatados seriam posteriormente evocados em versos de Pauliceia desvairada: "Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!..." (do poema "Inspiração", verso 7). Eis o trecho da crônica de Mário de Andrade.



Depois botaram falação. Muita coisa era digna de ser ouvida e anotada. O senhor Putteri, em nome da colônia italiana, espelhou ideias muito boas e muito sensatas. Sensatas demais até para serem lindas. O Oswaldo de Andrade falou também, representante e mandarim de uma geração nova, reveladora de muito brilho e alguma esperança. Era o clarim dos futuristas, gente "do domínio da patologia", como dizem e redigem alguns críticos passadistas, num afanoso rancor pelas auroras. João Miramar disse coisas lindas... O que implica dizer que não eram bem pensadas... E talvez seja verdade... Os homens do teu clã, como tu o chamaste, Oswaldo, meu Thiers, não pensam −, cismam, não refletem −, sentem. É uma estufa de poetas loucos, geração exótica, fantástica, arrepelada pelo consórcio com a garoa, a internacionalidade das nossas fábricas, com o convencionalismo ritual do meio. Neste manicômio pouco se pensa, dizem...  Mas quê de sensações, quê de comoções, quê de entusiasmos, quê de luares e fogaréus, onde a cada passo se multiplica e se transfigura a Beleza − essa bem querida Errabunda entre os sarçais da Perfeição!... A prova disso: o Oswaldo de Andrade falou com a sua voz que é um sacrilégio, pois imita o místico psalmodiar beneditino, e a sala aplaudiu. Todos estavam muitos satisfeitos porque se julgavam incorporados a "meia dúzia" de que falara o audaz. Se se lembrassem naquele cego momento de entusiasmo que pertencer a "meia dúzia" era cair "no domínio da patologia", talvez tirassem o corpo ao chuço do impropério... Como se a loucura não fosse defeito ou apanágio da humanidade inteira! Mas a vitória do clã está em ttodos terem querido fazer parte dele, não vendo o orgulho de solicitude em que se fortifica e acendra.

[Andrade, Mário de. De São Paulo (1920-1921) São Paulo: Senac, 2004, pp. 43-4]


2.5.14

pra terminar o dia, começar a noite, só Drummond...


Alcides Villaça lê "Poema de sete faces", do livro de estreia de
Carlos Drummond de Andrade, Alguma poesia (1930).
Villaça é referência nos estudos da poesia drummondiana,
e é dele o fundamental Passos de Drummond (2006).


Poesia do primeiro modernismo: uma revisão

Eis mais um link que leva a postagem de semestres anteriores, pretendendo reler e rever parte da poesia realizada no primeiro período do modernismo brasileiro (1922-1930), através de três escritores: Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira. Sobre os três há outras postagens antigas, algumas antológicas e interessantíssimas, como o curta-metragem, realizado em 1959 por Joaquim Pedro de Andrade, com Manuel Bandeira no papel de Manuel Bandeira.


palhaço de classe: AP2 de Literatura Brasileira 3

Bandeira e o "lirismo dos loucos"

palhaço de classe: Bandeira e o "lirismo dos loucos"

atitude de apaixonada escuta

Para uma leitura comparativa dos poetas principais do primeiro modernismo brasileiro, confira a seguinte postagem, escolhida dentre muitas dedicadas a Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira. Boa leitura!


1.5.14

primeiro de maio 2

Vale o confronto desta pintura com a fotografia de Tina Modotti, postada anteriormente.
"Proletários de todos os países, uni-vos!"

Operários (1933), de Tarsila do Amaral.


primeiro de maio





“O gesto de trabalhar é, sem dúvida, um gesto social, pois a atividade humana orientada no sentido de um domínio sobre a Natureza é uma realidade social, uma realidade do mundo dos homens. [...] A arte tende, contudo, com frequência, para desprover o gesto de um sentido social, precisamente. [...] O gesto social é o gesto que é significativo para a sociedade, que permite tirar conclusões que se apliquem às condições dessa sociedade.”

[Brecht, "Que é um 'gesto' social?"]


Workers Parade (Cidade do México, 1926), fotografia de Tina Modotti.